Campanha: “Todos Contra o Assédio Moral”

afpcontraoassediomoral@afprocon.org.br

“Trabalho todos os dias com o assunto, ouvindo funcionários sobre essa praga que provavelmente já faz parte da cultura do poder. Devemos combater o assédio moral com firmeza”.  (Antonio Carlos Malheiros – desembargador do TJ/SP)
“Assédio não é doença, mas gera problemas sérios, como angústia, depressão e até suicídio. O gestor que acoberta ou fecha os olhos também é culpado.” (José Roberto Montes Heloani – especialista em psicologia do trabalho, ética institucional, assédio moral e sexual)
“A luta deve ser conjunta para eliminar o assédio moral, e qualquer outro problema no local de trabalho. Temos que dar visibilidade para este problema, escutar e compreender melhor o mundo do trabalho de hoje que na aparência parece ser maravilho, mas em que as relações de trabalho são as piores”. (Margarida Barreto – médica especialista em medicina do trabalho e doutora em psicologia social)

Não é de hoje que histórias envolvendo práticas de assédio moral rondam a Fundação Procon. Também não é do Procon esse privilégio de possuir em seus quadros pessoas que protagonizam tal prática e na sua organização funcional procedimentos que beneficiam o seu desencadeamento.
A maior parte das reclamações quanto a essa prática na Fundação Procon origina-se de servidores lotados na Diretoria de Atendimento (DAOC) e caracterizam-se, principalmente, pelo tratamento desigual dispensado aos vários servidores que realizam as mesmas tarefas, quanto à quantidade de trabalho, rigor excessivo na consecução de tarefas, submissão do servidor a tarefas desconectas de suas atribuições contratuais, cobrança de metas sem o fornecimento das condições compatíveis para seu cumprimento, inobservância a regras de saúde preventiva, restrição para o servidor realizar suas necessidades biológicas, ameaças de avaliação desfavorável, e até transferências arbitrárias motivadas por sentimento pessoal de chefias, em gritante afronta aos princípios regentes da administração pública.
Essa prática pode decorrer tanto da estrutura administrativa que a alimenta, como também de perfis pessoais de chefias que se identificam com tal modo de exercer autoridade sobre seus subordinados. No entanto, independente de qual seja a causa matriz, o fato é que o Assédio Moral traz imensuráveis danos à pessoa vitimada, como desorganiza as relações de trabalho, impacta negativamente a realização das tarefas e consequentemente os resultados do setor e do órgão como um todo.
O crescimento do assedio moral no ambiente de trabalho no Brasil é assustador. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outros órgãos relacionados alertam quanto aos riscos e custos sociais de humilhações sofridas por trabalhadores, na grande maioria mulheres. Há indicativos que pelo menos 1/3 da População Economicamente Ativa já sofreu alguma forma de assédio moral no Brasil. Na região Sudeste a incidência chega a 66%, seguida pela região Sul (21%).
Desse modo, é urgente a necessidade de enfrentamento desse problema que assola as estruturas das relações de trabalho e causa desolação na vida pessoal e profissional do servidor público. Isso se deve fazer com o uso de ferramentas adequadas de conscientização, cursos de reciclagem principalmente para os que exercem cargos de chefias e, necessariamente, pela reação e iniciativa do servidor vitimado de buscar apoio e orientação. Somente assim é que se poderá, sistemática e adequadamente, com a utilização das ferramentas legais e administrativas disponíveis, combater esse câncer que corrói a instituição e traz sequelas psicológicas severas ao servidor, afetando todas as esferas de sua vida e que, não poucas vezes, redundam até mesmo em suicídio.
Não espere acontecer com você para aderir a esta campanha. Denuncie qualquer ato de Assédio Moral no seu setor de trabalho! Basta enviar e-mail para:

afpcontraoassediomoral@afprocon.org.br

Um comentário em “Campanha: “Todos Contra o Assédio Moral”

  1. “Tudo isso repercute nos benefícios sociais, na remuneração e nas condições de trabalho dos servidores públicos, assediados, inclusive, por uma gestão privada, baseada em metas irrealizáveis, que têm intensificado a doença e o sofrimento no trabalho, com relatos até de suicídios”.

    (Jorge Luiz Souto Maior, Juiz da 3ª Vara do Trabalho de Jundiaí; artigo publicado no Jornal do Advogado – Ano XLI-nº 409 – setembro de 2015: http://issuu.com/oabsp/docs/409/13?e=0
    ou http://issuu.com/oabsp/docs/409/13? e=23092030/32761035)

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